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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Brasileiro destrói estátua de 300 anos ao tirar selfie em museu de Lisboa



Autoridades agora avaliam se a obra, uma representação de são Miguel Arcanjo sem autor definido, mas feita em um ateliê lisboeta, pode ser restaurada.
Imagem de São Miguel arcanjo, datada do século 18, foi quebrada por brasileiro que tentava tirar selfie.
Um visitante brasileiro quebrou uma estátua barroca do século 18 ao tentar tirar uma selfie enquadrando a escultura. O acidente aconteceu no Museu de Arte Antiga em Lisboa, que excepcionalmente tinha a entrada grátis no primeiro domingo do mês.
Autoridades agora avaliam se a obra, uma representação de são Miguel Arcanjo sem autor definido, mas feita em um ateliê lisboeta, pode ser restaurada.
O incidente reacendeu uma polêmica sobre a falta de recursos e pessoal dos aparelhos culturais portugueses diante da explosão de turistas dos últimos anos. No início do ano, o diretor precisamente do Museu de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, criticou publicamente o descaso com o patrimônio e afirmando que “de certeza absoluta que um dia destes há uma calamidade no museu”.
Pimentel reclamou que seu museu — um dos mais importantes do país, com 82 salas— tinha apenas 20 vigilantes, quando seriam necessários mais do que o dobro: pelo menos 50. Uma declaração que não caiu bem com a pasta da Cultura.
No domingo à noite, o Ministério da Cultura divulgou uma nota afirmando que havia um vigilante na sala no momento do acidente:
“O acidente correu quando o visitante, estando a fotografar uma outra obra, recuou sem olhar, não parou apesar dos alertas do vigilante, e foi contra a peça que se encontrava em cima de um plinto”.
Ironicamente, esta não é a primeira estátua centenária despedaçada devido à ânsia fotográfica na capital lisboeta. Em maio, um visitante escalou a fachada da histórica estação do Rossio para tirar uma selfie e acabou derrubando e quebrando uma escultura do século 18 que retratava d. Sebastião, rei de Portugal.
A situação já tem levantado discussões sobre a preservação do patrimônio.
Escultura do rei Sebastião, datada do século 18, também foi vítima de turista desastrado.


GIULIANA MIRANDA 
DA FOLHA DE SÃO PAULO

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