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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Da calma à queda em 7 min. Tempo curto impressiona aviação colombiana



Foto: Reprodução/Internet
Se ainda não permitem apontar os motivos da tragédia que vitimou 71 pessoas, as primeiras gravações sobre o que ocorreu no voo que levava a Chapecoense a Medellín apontam caminhos para a solução. Divulgada pela Aeronáutica Civil da Colômbia, órgão responsável pela investigação do acidente, o conteúdo da conversa travada entre a tripulação do fatídico voo e a torre de comando do aeroporto mostra que o intervalo entre o primeiro sinal de alerta e o choque foi surpreendentemente pequeno.
"Durante todo o curso do voo, 2h10min, foi só com [cerca de] 2h03min de voo que foi reportado algo anormal. Foram só sete minutos entre o aviso do problema e a queda", conta o coronel Freddy Bonilla, secretário de segurança aérea da Aeronáutica colombiana e principal autoridade à frente da investigação.
Em uma coletiva de imprensa na última quarta, o órgão revelou que não encontrou combustível nos destroços da aeronave da companhia boliviana Lamia, que se chocou em uma montanha a cerca de 10 km de Medellin. A "pane seca" é a causa mais provável do acidente, já que a falta de alimentação é a explicação para a pane elétrica nos motores que acabaria por derrubar o avião.
O que intrigou os investigadores foi a ausência de comunicação por parte da tripulação do voo da Chapecoense. Segundo Bonilla, a aeronave da Lamia entrou no espaço aéreo colombiano às 20h48 do horário local. Às 21h20, um avião de origem colombiana que estava a caminho de outra cidade e tinha problemas foi remanejado para o aeroporto internacional de Medellin, ganhando prioridade de pouso.
Às 21h41, a aeronave da Lamia é autorizada pela torre de comando a se aproximar do aeroporto. Neste momento, o avião colombiano que tinha problema se preparava para aterrissar enquanto a tripulação que levava a Chapecoense foi orientada a taxiar até que a pista fosse liberada. Em nenhum momento, até aqui, o piloto havia relatado qualquer tipo de problema com combustível ou necessidade de atendimento prioritário.
Foi só às 21h49 que chegou o primeiro alerta. Sem dar detalhes sobre a gravidade, o avião com a Chapecoense pede prioridade por problemas de abastecimento. A torre de comando, segundo Bonilla, se preparava para abrir caminho em solo quando, às 21h52, o sinal amarelo se transforma em vermelho e o piloto alega situação de emergência. Às 21h57, já com a pista aberta, a aeronave da Lamia avisa que está em total pane elétrica e perde comunicação.
"Isso não é normal porque quando você tem problemas com combustível é algo muito difícil, uma prioridade", disse Bonilla, estranhando a ausência de comunicação anterior.
O alerta tardio levanta suspeitas. Ainda na terça, horas depois da tragédia, um áudio de Whatsapp, atribuído a um venezuelano que teria relações comerciais com os donos da Lamia, circulou com denúncias de que a aeronave da Chapecoense teria viajado com menos combustível que o necessário e que a torre de comando não foi avisada previamente porque a companhia não queria pagar a multa para casos do tipo.
As autoridades colombianas já tomaram conhecimento da denúncia e Bonilla diz que vai procurar o suposto autor do áudio para ouvi-lo. Ele também confirma que uma sanção por "pane seca" seria bem mais pesada que para qualquer outro problema na aeronave. "Quando se conclui que não há combustível suficiente para a operação, suspendemos e cancelamos a operação dessa companhia", disse o secretário.
Colabora para essa suspeita o fato de que, pelo plano de voo, a aeronave não poderia ter caído sem combustível se estivesse de acordo com a lei. A Colômbia determina que todo avião deve voar com abastecimento suficiente para o aeroporto de destino, para uma segunda opção reserva de pouso, 30 minutos excedentes de voo e mais autonomia para cinco minutos ou 5% do trajeto pensado inicialmente.
No caso do voo que vitimou a Chapecoense e 22 jornalistas, seria mais uma hora garantida no ar, como mostrou o UOL Esporte na última quarta. Não há, no entanto, certeza de que a aeronave viajou com menos abastecimento do que deveria, já que um problema de ordem mecânica pode ter feito o avião perder combustível ou gastá-lo em demasia.
As chaves, então, devem ser as duas caixas pretas do voo da Chapecoense, que já estão sob análise dos peritos, e o relatório assinado pela tripulação da Lamia ainda na Bolívia. O cruzamento destes dados mostrará, em tese, se houve mesmo negligência por parte da companhia aérea, que tem operação pequena e ganhou espaço no futebol por, entre outras coisas, ser indicada aos clubes e seleções pela Conmebol, embora a entidade negue a relação.

UOL

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