NOME NOME NOME NOME

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Delegado preso no RS por financiar quadrilha é flagrado com celular dentro de cela da Polícia Civil



Omar Abud não asumiu ser dono de telefone. Suspeita é de que ele teria entrado com o aparelho no momento da prisão.
Delegado Omar Abud foi preso no último dia 21 em uma operação para combater o roubo de cargas Foto: Luiz Armando Vaz / Agencia RBS
Preso por suspeita de financiar uma quadrilha de roubo de cargas, o delegado Omar Abud foi flagrado com um celular dentro de uma cela da Polícia Civil, em Porto Alegre. O aparelho foi descoberto com o policial durante uma revista de rotina feita na carceragem do Grupamento de Operações Especiais,  no Palácio da Polícia, na última sexta-feira.
Conforme o chefe da Polícia Civil, delegado Emerson Wendt, a informação preliminar é de que o aparelho teria sido levado por ele no dia em que foi preso, camuflado nas roupas que vestia.
Abud não assumiu ser o dono do celular e ficou em silêncio no depoimento. Em contato com a reportagem, a defesa disse que acredita que o aparelho tenha sido usado para falar com parentes. 
A delegada plantonista pediu que ele fosse preso em flagrante por causa da atitude. No Judiciário, o juiz plantonista Volnei dos Santos Coelho entendeu que Abud não precisaria permanecer preso por portar o celular. Porém, como tem um mandado de prisão preventiva em vigor, não poderia ser solto.
Abud foi preso durante a Operação Financiador. Deflagrada no dia 21 de fevereiro, a ação do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil trouxe à tona um esquema de roubo de cargas. A investigação coloca Abud no topo da quadrilha, junto com o comissário Luis Armindo de Mello Gonçalves, preso no mesmo dia.
Questionado se o preso pode ter atrapalhado a investigação fazendo contato com pessoas de fora do presídio, o chefe de Polícia garante que não:
— Boa parte das provas são técnicas e já estão sendo analisadas.
Uma apuração interna foi aberta para saber como o delegado preso teve acesso ao celular. Wendt afirma que na mesma revista um agente penitenciário que se encontra preso no local também foi flagrado portando um celular. 
A Polícia Civil não revelou para quem Abud ligou e alega que isso vai ser mostrado durante o inquérito.

Contraponto
O advogado de Abud, André Luiz Callegari, afirma que o celular não era do policial. Ele acredita que o aparelho tenha sido usado por Abud para falar com parentes e contratar o trabalho da defesa. 
— Isso é natural das pessoas que estão isoladas. A explicação é conversar com sua esposa, com seu filho, que ele sente falta, com a sua família. O delegado jamais utilizaria para outra finalidade. Porque, com toda experiência que ele tem, o telefone não seria destinado para outro fim. Até porque ele sabe que existe monitoramento das linhas telefônicas. Que há uma investigação em curso — diz Callegari.
O advogado também contesta as alegações da delegada plantonista, que citou que Abud cometeu receptação dolosa ao falar ao telefone. Segundo Callegari, para ter praticado esse crime, a delegado teria que ter certeza que o aparelho foi adquirido de forma ilícita e essa incoerência teria sido fundamental na interpretação do juiz, que não concedeu a prisão em flagrante. 
Callegari também questiona o crime que o juiz atribui ao delegado — de ingressar com o celular na cela. O advogado afirma que é responsabilidade da Polícia Civil fazer revista nos presos para impedir que isso ocorra.

Zero Hora


comentário(s) pelo facebook:

0 comentários:

Postar um comentário

Os comentarios aqui publicados não expressam a opinião do blog