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segunda-feira, 13 de março de 2017

Vítimas de pastor acusado de estupros no DF relatam tortura e perversão



Renato Bandeira obrigava mulheres a fazer sexo oral, anal e introduzia objetos nelas.
Divulgação/PCDF
Os depoimentos que integram a investigação da Polícia Civil do DF sobre o pastor e músico evangélico Renato Bandeira dos Santos, 31 anos, suspeito de pelo menos cinco estupros nas cidades de Taguatinga e Águas Claras. Os relatos das vítimas trazem detalhes dos momentos de terror que elas passaram e situações constrangedoras. As mulheres, com idade entre 20 e 46 anos, contaram que eram obrigadas a fazer sexo oral e anal com o pastor.
O grau de perversidade do estuprador era tamanho que em uma das ocasiões teria enfiado um objeto no ânus de uma delas. O modus operandi do criminoso, segundo as ocorrências policiais, era o mesmo. No período entre 18 de agosto e 29 de dezembro de 2014, ele abordou as mulheres dirigindo um carro. Usava uma faca grande, tipo peixeira, ou um revólver para intimidar as vítimas.
“Ele parou o carro em frente a uma casa. Novamente, fui obrigada a fazer sexo oral nele. Depois, mandou que eu abaixasse o banco do passageiro e ficasse de costas. Depois da penetração vaginal, pegou um objeto e usou no meu ânus”, contou uma delas.
Depoimento prestado por uma estudante da UnB, estuprada no dia 29/9/2014
As abordagens eram feitas em locais com pouco movimento, sempre entre 5h e 6h30. Renato usava de violência e chegava a agredir as mulheres. Em uma das ocorrências, a vítima disse que foi sufocada no momento em que resistia ao abuso. Ao que tudo indica, o pastor escolhia seus alvos aleatoriamente. Entre eles estão uma estudante da Universidade de Brasília e uma vendedora.
Depoimento prestado por uma mulher que foi abordada às 5h30, em Taguatinga, em 2014, próximo à Praça do Bicalho
O suspeito rodava com elas sempre em veículos de marcas diferentes, estuprando-as e obrigando-as a fazer sexo oral e anal com ele diversas vezes. Depois, vasculhava as bolsas e olhava os documentos. Antes de liberá-las, ameaçava as vítimas, dizendo que sabia o nome e o endereço delas e que, se o denunciassem, voltaria para matá-las. “Agora eu sei onde você estuda”, disse ele, após vasculhar a bolsa de uma estudante de pedagogia.
Outra vítima contou que foi abordada na porta da loja em que trabalhava, em Taguatinga
Em dezembro de 2014, uma jovem de 23 anos afirmou que conhecia Renato. Ela disse em depoimento que teria pego uma carona com o pastor depois de uma festa. Na época, ele também atuaria como designer de sobrancelhas em um salão de Vicente Pires. A mulher foi obrigada a ir a um apartamento em Águas Claras. No percurso, tentou se jogar para fora do carro, mas teria sido enforcada por seu algoz. Confira o que ela contou à polícia:

Preso em Belo Horizonte
Renato Bandeira dos Santos foi preso em Belo Horizonte (MG), acusado de assédio, em 2015. Após ter o seu DNA ligado aos casos no Distrito Federal, acabou transferido na terça-feira (7/3) para Brasília e foi apresentado pela Polícia Civil. Os investigadores acreditam que com a divulgação do caso, outras vítimas apareçam para denunciá-lo na 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga).
Ele deu entrevista e garantiu ser inocente. Com a cabeça erguida e tentando passar a sensação de tranquilidade, se apresentou como pastor, cantor, compositor e escritor. Atribuiu a repercussão do caso à suposta fama que ele diz ter em todo o Brasil. Bem articulado, chegou a agradecer o apoio de patrocinadores.
“O tempo é a resposta para todas as coisas que precisamos saber”, disse ao ser questionado se realmente cometeu os crimes. As vítimas, no entanto, acreditam que o tempo não vai cicatrizar as marcas de violência deixadas por Renato.
Na quarta (8), uma mulher de 48 anos foi até a delegacia e o reconheceu como autor do estupro. Ela contou que foi obrigada por ele a entrar em um carro, em Águas Claras. Foi dentro do veículo que o estupro ocorreu, sob ameaça de uma faca. Segundo o delegado Raimundo Vanderly, da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga), o homem, natural do Maranhão, fazia shows de música gospel em diversas cidades, reunindo até 80 mil pessoas.

Confira uma apresentação feita por Renato Bandeira:


Em um blog, no qual o pastor publicava a agenda de shows antes de ser preso, ele chegou a dizer que teve um passado difícil. Foi considerado o mais jovem traficante de drogas do Maranhão, era conhecido no mundo do crime pela alcunha de “Diabo Loiro”, mas teria se convertido, passando a se dedicar a pregar o evangelho.
Banco de DNA
Quando o pastor foi preso em Minas Gerais, o DNA dele foi colhido e as informações cruzadas com o que havia no banco de dados genéticos da Polícia Civil do DF,  ligando-o a pelo menos três crimes na capital federal. Graças ao banco, investigadores já prenderam 78 estupradores que violentaram 229 mulheres nos últimos 15 anos no DF.
Criado em 2000 e contando com o perfil genético de mais de 700 criminosos sexuais, o banco de DNA da Polícia Civil brasiliense é o maior do país e está entre um dos mais completos da América Latina. A ferramenta tem importância especial no contexto dos delitos sexuais, pois a investigação dos casos, quase sempre, conta com poucas provas materiais.
Para chegar aos estupradores, os peritos entram em cena para coletar e analisar o material biológico (sêmen, fios de cabelo, saliva) que pode ser encontrado na cena do crime. Em seguida, todos os vestígios são inseridos no banco de dados do DF e ganham um perfil genético, que logo é definido pelo computador, chamado de Sequenciador, no qual são identificadas as informações do DNA e armazenadas no banco.

Com informações do Metrópolis

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