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sábado, 2 de setembro de 2017

Padre é denunciado por abusar sexualmente de fiéis em supostos rituais de purificação no interior de Goiás



O padre, que pode ter cometido os crimes em Caiapônia, Anicuns, Caldas Novas e Aragarças, também mantinha fotos de uma adolescente nua.
Iran (à esq.) no dia de sua prisão, durante a deflagração da Operação Sacriçégio (Foto: MPGO)
O padre Iran Rodrigo Souza de Oliveira, de 45 anos, preso no dia 16 deste mês em Caiapônia, foi denunciado por violar sexualmente três vítimas do sexo feminino mediante fraude. Uma delas tinha 14 anos à época dos fatos.
A detenção do padre aconteceu no âmbito da Operação Sacrilégio, deflagrada com o objetivo de investigar acusações de abuso sexual contra o religioso. Desde a data da operação, o padre está detido na unidade prisional de Anicuns.
Nas denúncias, oferecidas pelo promotor de Justiça Danni Sales Silva, da 1a Promotoria de Anicuns, Iran é acusado de enganar jovens oferecendo um suposto ritual de cura e santificação, com o objetivo de abusá-las sexualmente. Ele também teria utilizado esse mesmo ritual como argumento para obter fotos de ao menos uma das vítimas nua.
Os crimes relatados ocorreram nos municípios de Americano do Brasil e Adelândia, que são distritos judiciários da comarca de Anicuns. As apurações apontaram que o padre também pode ter cometido delitos em pelo menos outras três cidades: Caldas Novas, Aragarças e Caiapônia, por cuja paróquia Iran Rodrigo respondia nos últimos anos. Os casos devem ser apurados pelas promotorias dessas comarcas.

Ritual de “purificação”
Conforme a denúncia, o religioso prometia às jovens resolver problemas de saúde e até mesmo recuperar a virgindade. Para isso, elas precisavam ficar nuas e aceitar o toque das mãos do padre em várias partes de seu corpo – seios, nádegas e também na vagina. O toque na vagina, segundo afirmado às vítimas, teria como finalidade exatamente “santificar” o local para a recuperação da virgindade.
No caso da adolescente abusada aos 14 anos, o processo de “purificação” incluiu também a troca de mensagens por aplicativo de celular nas quais o religioso a orientava a seguir outro ritual, após o qual deveria lhe enviar, pelo celular, fotos de seu corpo nu, incluindo da vagina, visando comprovar a “santificação”. Essas conversas pelo aplicativo foram comprovadas a partir de uma interceptação telemática efetuada pelo MP.
O relato de uma das denúncias menciona o caso de uma vítima que trabalhou com o acusado na antiga Casa das Freiras, hoje Casa Paroquial, em Adelândia, e que foi abusada por ele em outubro e dezembro de 2010 e, depois, em janeiro de 2015. No caso dessa jovem, o promotor aponta na peça acusatória que ela passou pelo ritual de “santificação” com as mãos, para se curar de uma forte dor de cabeça, que seria provocada, supostamente, por um problema no ovário – esse diagnóstico foi feito pelo próprio acusado. A vítima também foi induzida fraudulentamente a aceitar a relação sexual com o religioso, o que teria ocorrido em sua casa, em Adelândia, em 2015.
Em depoimento ao promotor, Iran Rodrigo sustentou possuir o dom de cura pelas mãos e confirmou ter tocado nas vítimas. A denúncia, porém, argumenta que o acusado agiu de forma dolosa e com o objetivo de saciar seu desejo sexual e sublinha que os fatos atentaram contra a dignidade sexual das vítimas.
Em manifestação anexa às denúncias, Danni Sales destaca que os aparelhos apreendidos na casa do religioso em Caiapônia estão sendo analisados pela equipe do Centro de Inteligência do MP e que, assim que o laudo técnico e o relatório pericial forem concluídos, serão juntados aos autos.

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