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quinta-feira, 21 de março de 2019

Ex-presidente Michel Temer preso pela força-tarefa da Lava Jato



Ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco (Minas e Energia) também foi preso hoje. Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal
Presidente Michel Temer. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
O ex-presidente Michel Temer (MDB) foi preso pela força-tarefa da Lava Jato na manhã desta quinta-feira (21). Temer foi preso na casa dele, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. O ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco (Minas e Energia) também foi preso hoje no âmbito da mesma operação. Os agentes ainda tentam cumprir mandados contra o ex-ministro Eliseu Padilha (Casa Civil). O coronel reformado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho (amigo do presidente, conhecido como coronel Lima) também é alvo da operação de hoje.
No momento em que o mandado estava sendo cumprido, Temer falou por telefone com o jornalista Kennedy Alencar, da CBN. O ex-presidente disse que estava na companhia de policiais federais e classificou a prisão como uma “barbaridade”.
A prisão acontece em caráter preventivo e ocorre por um suposto pagamento de propina nas obras da Usina de Angra III. O ex-presidente teria recebido R$ 1 milhão. Vestindo terno cinza e sem usar algemas, Temer chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, de onde segue para o Rio de Janeiro. Ele deve exame de corpo delito na delegacia da PF no aeroporto e então será encaminhado para a sede da Polícia Federal.
A Operação Descontaminação investiga desvios na Eletronuclear. Ao todo, foram expedidos oito mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 24 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Paraná e Distrito Federal. De acordo com nota da PF, “a investigação decorre de elementos colhidos nas Operações Radioatividade, Pripyat e Irmandade, deflagradas anteriormente e, notadamente, em razão de colaboração premiada firmada pela Polícia Federal.
Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Desde quarta-feira (20), a Polícia Federal (PF) tentava rastrear e confirmar a localização de Temer, sem sucesso. Michel Temer responde a dez inquéritos, cinco no Supremo Tribunal Federal (STF), cinco abertos na época em que ele era presidente. Os outros cinco foram autorizados pelo ministro Luís Roberto Barroso em 2019, quando Temer já não possuía mais foro privilegiado. Entre outras investigações, Temer é um dos alvos da Lava Jato do Rio. 
A prisão de Temer tem como base a delação de Lúcio Funaro. No ano passado, Funaro entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) informações complementares do seu acordo de colaboração premiada. Em setembro, no relatório final do inquérito sobre repasses de R$ 10 milhões da Odebrecht para integrantes do MDB, a Polícia Federal concluiu pela existência de indícios de que o presidente Michel Temer cometeu crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O documento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e também indica a prática dos mesmos crimes pelos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia). Outro citado é candidato ao governo de São Paulo pelo MDB, Paulo Skaf. No caso dele, a PF aponta indício de prática de caixa 2.
O caso está relacionado com o jantar no Palácio do Jaburu, em 2014, e que foi detalhado nos acordos de delação de executivos da Odebrecht. Então vice-presidente, Temer teria participado do encontro em que os valores foram solicitados. No caso do presidente, a PF mapeou a entrega de R$ 1,4 milhão para João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, amigo do emedebista.
MDB condena prisão de Temer
Em nota, o MDB condenou a prisão do ex-presidente. “O MDB lamenta a postura açodada da Justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte de Temer e do ex-ministro Moreira Franco. O MDB espera que a Justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito de defesa”, diz o texto.
Temer é o segundo ex-presidente do Brasil preso após investigação por corrupção
Temer (PMDB) foi o 37º presidente da República do Brasil. Ele chegou ao poder no dia 31 de agosto de 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Temer cumpriu o restante do mandato, até 31 de dezembro de 2018.  Eleito vice-presidente duas vezes consecutivas (na chapa de Dilma), Temer chegou a ser o coordenador político da presidente, mas os dois se distanciaram logo no começo do segundo mandato. Ao longo de sua trajetória política, Temer foi presidente da Câmara dos Deputados, secretário da Segurança Pública e procurador-geral do estado de São Paulo.
Michel Temer foi preso menos de três meses depois de deixar a presidência. Aos 78 anos, ele é o segundo presidente da história do Brasil detido após investigação por corrupção. Em abril do ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi preso em São Paulo. Atualmente, Lula cumpre pena na sede da Polícia Federal em Curitiba, após ser condenado em segunda instância.
Prisão de Temer é tema mais comentado no Twitter
O assunto mais comentado na rede social Twitter é a prisão do ex-presidente Michel Temer. Os termos Temer e #LavaJato ocupam, respectivamente, o primeiro e o quarto lugares no ranking de assuntos mais discutidos do dia.
A prisão preventiva do ex-presidente também fez subir os nome de Eduardo Cunha, emedebista ex-presidente da Câmara e que também está preso, Michelzinho, em referência ao filho de Michel Temer, Aécio, por haver cobranças de usuários do Twitter por uma prisão do tucano mineiro, ex-governador de Minas e ex-candidato à Presidência da República, e Marcelo Bretas juiz da Lava Jato no Rio de Janeiro responsável pelo mandado de prisão contra Temer.
Ainda no contexto da prisão de Michel Temer, a expressão Falta a Dilma também se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter brasileiro, onde usuários também cobram da Justiça a prisão da ex-presidente Dilma Rousseff.

OP9

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