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quarta-feira, 7 de abril de 2021

‘Cuida das crianças’, pediu grávida ao marido antes de morrer com Covid-19



Mulher começou a passar mal no início do mês passado e travou uma luta de três semanas contra a doença; ela morreu após dar a luz.

Maiara Cristina Bueno, de 27 anos, estava grávida de sete meses quando foi infectada pela Covid-19. Moradora de Sorocaba, interior de São Paulo, Maiara começou a passar mal no início do mês passado e travou uma luta de três semanas contra a doença. Ela morreu no último sábado, 3, após dar à luz a sua filha Luiza de forma prematura.

Em entrevista ao UOL, o marido da sorocabana, Luís Bueno, contou que toda a situação foi muito rápida e rememorou a última conversa que teve com a mulher:

‘Pelo jeito é grave. Se eu morrer, você cuida das crianças’. Foi a última coisa. Depois me ligaram e disseram que ela iria fazer uma cesárea.

O auxiliar de construção civil disse que há um mês chegou em casa com dor de cabeça e sentiu febre no dia seguinte. “O médico disse que era gripe e eu fui embora para casa. Eu tomei o antibiótico que ele pediu e a minha gripe passou”. Na ocasião, ele não foi submetido a um teste da covid-19.

A mulher começou a passar mal logo em seguida e Luís a levou até um hospital local. “Ela entrou sozinha com o médico, que disse para ela retornar no outro dia, para não ficar no hospital porque tinha muita gente contaminada”.

No dia seguinte, Maiara voltou e foi submetida ao teste da covid-19, cujo resultado seria entregue em dez dias. “Ela veio embora com uma receita de remédios: Azitromicina, Acetilcisteína, Paracetamol, Dramin B6. Ela começou a tomar, ficou três dias e começou a ficar pior”.

Luís disse que chamou o SAMU ao meio-dia, mas que Maiara ficou na fila de espera por mais de cinco horas. “Eu deixei. No outro dia (dia 20) peguei emprestado um carro de um amigo meu e levei ela no Pronto Atendimento da Zona Oeste, que me falaram que lá era só atendimento para a covid”.

Na triagem, Maiara foi submetida a diversos exames e ficou na enfermaria. “Ela estava com balão de oxigênio e eu precisava ficar lá para levar ela para banheiro, tomar água. Amanheci fazendo isso.”

Os dois trocaram mensagens durante o sábado (27), e Luís chegou a receber uma foto de Maiara em que ela mostrava a si mesma recebendo oxigênio. A mulher foi transferida para a Santa Casa de Sorocaba, onde ficou internada, deu à luz e morreu uma semana depois. “A neném foi para a UTI neonatal e ela foi intubada na UTI de covid, onde ficou sete dias e depois morreu.”

Luís e Maiara são pais de Hugo, de 7 anos, e Mirela, de 1 ano e três meses. A gravidez de Luiza foi uma surpresa para o casal e o nome foi escolhido pela própria mãe. “Ela passou mal e foi quando descobriu que estava grávida. Ficou assustada, mas depois ficou muito alegre.”

A criança ainda está internada, aguardando atingir 2 kg para sair da incubadora. Luís, que concedeu a entrevista após visitá-la no hospital, comentou que Luiza está bem de saúde e já não precisa mais de auxílio para respirar.

Maiara era beneficiária do Bolsa Família e chegou a receber o auxílio emergencial durante a pandemia. “Ela saiu do serviço antes da pandemia. A gente se trancou dentro de casa. Só eu saia para trabalhar. Ela ficava até brava com o nosso filho que às vezes ia brincar na rua”, explica.

O enterro aconteceu na manhã de sábado, no cemitério municipal de Sorocaba. “Chegando lá tinha mais três enterros acontecendo”, comenta Luís.

Essa doença está difícil. Eu mesmo falava que era só uma ‘doencinha’, estava falando asneira. Quando eu fui ao hospital pela primeira vez, que eu passei a madrugada inteira, eu contei 40 pessoas tomando oxigênio. E ainda tinham mais esperando.

Agora, o pai quer mudar a rotina para dar conta de cuidar dos filhos e continuar trabalhando. “É dar um jeito de criar eles. Com certeza ela não queria que eu os separasse. Eu tenho que criar eles, tentar trabalhar o mínimo possível para tentar ficar mais com eles”.

Luís, que perdeu a mãe em julho do ano passado por uma pneumonia, disse que ainda consegue contar com o apoio de amigos e familiares do bairro na ausência da mulher, que agora permanece só nas boas memórias: “Foi uma pessoa muito boa. Tinha um amor muito grande pelas crianças”.



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